domingo, 30 de outubro de 2011

O lado escuro da minha mente

Capitulo 2 - Desaparecidos
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Era completamente estranho para Joanne tentar esquecer aquele sonho. Isso é, fora um sonho, não?
Sua concentração fora minada naquele dia com ensolarado de vastas nuvens, mas sem sinal de chuva. Recusara-se a jogar vôlei com as outras meninas e a participar das gincanas da trilha que fora obrigada a fazer, e sempre que um dos monitores perguntava, ela ocultava seus sentimentos e esboçava o falso sorriso que quase sempre convencera a todos de que ela estava bem, e apenas não dormira muito bem. De fato, era esse o seu problema hoje.
Se contar as coisas do cotidiano como nenhuma novidade, aquele dia fora o mais comum possível naquele acampamento. Já não haviam coisas que alguém não pudesse imaginar, e a menos que surgisse um urso e fizesse todos correrem, ela não ficaria muito surpresa.
Não houve lual ou qualquer evento aquela noite, apenas jantar e cama. Os colegas de quarto se sentaram numa pequena roda pra contar histórias, mas Joanne não se sentia muito bem, então resolveu deitar-se, e não custou muito para adormecer como se fosse induzida a isso.
Em poucos segundos, se encontrava no mesmo lugar da noite passada, porem, dessa vez a noite estava mais escura e ainda mais tenebrosa. Lembrando-se de seus passos a noite passada, corria para o lago fazendo seus passos mais uma vez. Quem sabe não encontraria a pessoa que gritara?
Ao chegar lá, apenas uma pequena criatura estava ali. Agachada mexendo com algumas pedras e um graveto. O que uma criança fazia ali.
A mesma se levantava e olhava para Joanne com um sorriso estranho no rosto. Chegava a ser medonho para aquele menino que aparentava seis anos de idade, usando uma camisa social branca com colete e gravata, e uma bermuda de mesma cor. As meias altas e os sapatos sociais traziam um ar nostálgico do tipo anos trinta a mente de quem o olhasse. Tinha aquela breve pureza e inocência no olhar, mas seu sorriso era maléfico. Fazia um breve sinal chamando Joanne com os dedos e depois começava a correr, e antes que ela pudesse pensar em fazer algo já se via correndo na mesma direção que ele.
O lago era extenso, e sua água parecia uma poça gigante de óleo queimado devido à escuridão densa do mesmo, e para a surpresa da moça, o “rapazinho” começava a corres sobre a água. Joanne ficava pasma por um instante sem poder reagir.
O mesmo parava e a olhava fazendo de novo os sinais para que ela fosse, mas dessa vez ela parara a margem e ficara observando.
O mesmo grito da outra noite cortara o silencio que se fazia no lugar de maneira inóspita, tirando então a atenção dela sobre o garoto, e quando voltara a o olhar, não estava mais lá.
Voltou para a trilha que levava ao lago, e na entrada da mesma, mais uma vez eram visíveis o pano esfarrapado e as marcas de sangue.
Dessa vez, o que a acordara fora um dos monitores batendo na porta como se quisesse derrubá-la. Depois de dados alguns minutos para que se aprontassem, o diretor dera o anuncio. Uma das monitoras estava desaparecida e a única coisa que fora encontrada, foram marcas de sangue e uma parte da sua camiseta. Ao que o diretor os mostrava, Joanne arregalava os olhos e ficava atônita tremendo um pouco. Eram ordenados de não andar pelo local depois do sol se por, e que fossem cuidadosos até que pudessem encontrá-la ou mandá-los de volta para casa.

domingo, 23 de outubro de 2011

O lado escuro da minha mente


 Capitulo 1 — Principio da escuridão.
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Coisas relativamente normais aconteciam no acampamento Hope em todos os verões. Eventualmente, aparecia uma criança nova com receio de tudo e de todos, mas particularmente eram sempre as mesmas com seus pais que as vinham trazendo por volta das duas da tarde, e deixando-os ali para buscar apenas três semanas depois, quando as férias estavam praticamente acabadas.
Aquela espécie de chácara possuía seus dezoito chalés, que abrigava as “crianças” – entre dez e quinze anos – até que fosse a hora de voltar para os seus respectivos lares. O local rodeado por arvores robustas e pouco além delas via-se um lago cristalino que refletia os raios solares sendo impedido apenas por uma espécie de cais com dois botes atracados. E uma imensidão verde a rodea-los de forma que o local ficava literalmente isolado de qualquer espécie de civilização, não fosse pelos fios de energia e telefone passando a cerca de cinco metros do chão e chegando a uma caixa grande de pedra com porta de metal consideravelmente longe dos chalés.
O clima ameno da tarde trazia uma leve brisa morna bastante revigorante, que parecia dar energias para aqueles que chegavam. Inclusive Joanne, que tinha mais o rosto de quem não gostava em nada do lugar. Trazida praticamente a arrasto pelo pai, lá estava à mesma com seu tênis All Star, uma calça jeans esfarrapada com uma corrente mediana ao lado esquerdo sobre a coxa e uma camiseta preta que seguia levemente curta pelas curvas tão tímidas quanto à menina. Seus cabelos enegrecidos, e visivelmente coloridos de tal cor, encobriam sua testa numa pesada cascata de fios deixando seu olhar um pouco inóspito e sombrio. Nos lábios naturalmente avermelhados, não existia um sorriso, ou qualquer expressão de empolgação com o lugar, pelo qual ela corria os olhos e avistava pouco a frente dos chalés a edificação de pedras em nada pequena, mas onde se lia claramente a palavra “diretoria” em sua entrada com letras em amarelo. Algumas mesas de madeira com bancos de tocos a céu aberto era o que ela deduzia ser o refeitório. Um pouco distraída a observar com um pouco de pesar as movimentações dos achegados e dos funcionários, não percebia que o pai se afastava e com o carro já ligado, partia deixando a mesma ali com as malas aos seus pés e reação alguma devido ao efeito das ações de seu pai. Revirava os olhos ao que o mesmo tinha feito, sem deixar ela mesmo tentar argumentar para ser levada de volta, e levava a mão de unhas pouco cuidadas ao bolso da calça. Tirava do mesmo um pedaço de papel impresso com o emblema do acampamento e seguia na direção das pequenas construções onde deveria se instalar junto com os “colegas de quarto”.
O chalé seis parecia um lugar aconchegante com suas beliches alinhadas e as mesas de centro enfeitadas com vasos minúsculos. Havia nele, naquele momento apenas três pessoas alem de Joanne. Essas olhavam rapidamente pra ela e a cumprimentavam quase em coro, e ao que arrumavam suas coisas, saiam apressados do lugar.
A tarde não demorava a cair e menos ainda a escuridão da noite a tomar toda a extensão do lugar forrando um belo cobertor de estrelas sobre eles. Os relógios marcavam cerca de dez horas quando todos foram mandados aos seus dormitórios, já que no dia seguinte, teriam uma série de atividades campistas. Os monitores tratavam de colocá-los rapidamente em seus aposentos e fazerem as rápidas vigílias antes de irem aos seus também.
Dos outros em seu quarto – dois meninos e outra menina – estavam todos bastante eufóricos com o dia seguinte, já que fariam uma trilha, e segundo alguns boatos, haviam algumas premiações por pequenas gincanas que eram feitas durante a mesma. Suas empolgações eram tantas que eles se forçavam a dormir deixando o silencio e a escuridão invadir o mesmo em poucos minutos, de forma que a única fonte de luz era a que vinha da lua crescente lá fora, a passar pela janela e repousar sobre as coxas da mesma cobertas por um lençol azul claro. Os olhos cor de âmbar da mesma praticamente lutavam contra o sono que vinha a lhe derrubar fazendo sua cabeça pender para frente vez ou outra, até que a mesma se rendia e deitava-se sobre aquele travesseiro bastante macio.
A escuridão de dentro dos olhos de Joanne era como um mundo perdido dentro de sua mente, um mundo onde nunca se sabia o que esperar.
Aquele acampamento a noite era mais medonho do que parecia, e o vento esvoaçava os cabelos negros da mesma de forma que também o fazia com os galhos das arvores, farfalhando suas folhas e deixando um estranho sussurro no ar. As formas iluminadas apenas pelo luar também deixavam tudo um pouco mais  inóspito para aqueles que eram acostumados a iluminação das ruas  o conforto de suas casas, mas tudo isso a fazia pensar. Como tinha chegado ali fora?
Um grito estridente e agônico quebrava o silencio levando imediatamente a menina a arregalar os olhos e procurar de onde aquilo viera. Uma tremedeira de excitação, medo e curiosidade percorria o corpo da mesma seguido de um arrepio enquanto ela voltava a caminhar cuidadosamente na direção provável do grito.
Joanne atravessava a trilha que se fazia entre as arvores chegando próximo ao cais encontrava no chão o que parecia com parte de uma das camisetas dos monitores totalmente destruída e com um liquido espesso a se empossar sob a mesma. Ao que a moça pegava o mesmo, o cheiro deixava-a ainda mais assustada. Era sangue sem sombra de duvidas, e não estava apenas ali, havia mais por uma linha que se extendia pela margem, e depois apenas pequenos resquícios, como se gotejasse.
O vento agora soprava mais forte e seus sussurros se tornavam mais vivos, e a cada segundo mais intensos, mais gritantes, mais claros. Chamavam então pelo nome dela.
A menina abria seus olhos então com sua colega de quarto sobre ela a sacudindo.
— Levante-se, ou vai se atrasar no primeiro dia... Vamos lá, vai ser legal.
O que fora aquilo tudo? O lugar a incomodava tanto assim para ter pesadelos?
Poucas respostas, ou melhor, nenhuma resposta para muitas perguntas. Mas a mesma deixava um pouco de lado as coisas e começava a se arrumar. Aquele dia tinha algo a mais a esperar pela mesma.